segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Jamais

À conta da minha muita sorte, jamais morrerei.

Sonho

Sonhei que ela encontrou uma placa com um texto escrito em cores garridas. O texto era meu, a mão escrevedora foi a minha. Eu morri... não, eu havia morrido... não, eu morrera e ela encontrou aquilo de mim, tipo assim do nada, e como sendo um pedaço de arte admirável. Era vê-la (nos sonhos, mesmo mortos, a gente pode ver reações) a elogiar-me a semântica e a poesia.
Como sabem, e se não sabem não faz mal, eu gosto de vocês na mesma, abomino a ideia do póstumo como sobrevalorização daquilo que se foi. O póstumo é menino para remeter tanto para o esquecimento quanto para a glória, ok, tudo bem, mas é uma completa nulidade para os mortos, que aí chegados a gente já não vê nem sente senão em sonhos. É chato.

Cheirinho

Cheirinho, quando digo, digo do bom cheiro.
Cheirinho foi o que se me entrou no nariz numa das primeiras espreitadelas à rua mais feia de Lisboa. Sabem aquele cheirinho de fevereiro, quando algumas árvores já despontam folhinhas, um cheiro verde, novo?, pronto, é esse, só por dizer que estamos em dezembro. Pois. Folhas são folhas, verde é verde. Clorofila, é o que é.

entes queridos

quente
de repente
contente
demente

graminhas

o chapéu-de-chuva pesa
quatrocentos e vinte graminhas

sábado, 9 de dezembro de 2017

Máquina fotográfica montes de espectacular: vamos mostrar o teu zoom ao mundo?
(ela disse que sim)




(os objetos espelham a minha solidão)

O palito

Eu bem que não achava o palito no chão, pois claro que não, ficou no tampo da máquina de lavar.

carne

não comer carne é ótimo para o cérebro
sério
dou voltas e mais voltas ao miolo
à procura do que fazer

Vem aí o Natal

No supermercado, o Pai Natal, aproveitando a ausência de criancinhas, conversava com a duenda. Ouvi a palavra 'corporal'. Pronto, ora essa, o Natal é tão espírito, mas tão espírito, que toma forma.

listinha

iogurtes naturais quaedam
feijoada de cogumelos ipsum bonum
massa folhada malum
cebolas confitadas quaedam
couscous de couve-flor e cenouras ipsum bonum
frango especial de forno ipsum bonum
bolo de natas e laranja quaedam
folhados de carne dubium

Por ora, nada a ver com o Natal mas tudo a ver com...



... LunaPic, óié




Descobri mais dois desenhinhos do Natal e repeti um


LunaPic, óié


Vem aí o Natal





LunaPic conseguiu transformar a foto de baixo na foto de cima.



Da janela do meu quarto azul

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

De quem é a foto?

Ia eu pela rua, que é coisa que faço de quando em quando, ah ah, ri-terri-te, quando vi uma menina de telemóvel apontado à paisagem, na disposição de fotografar. Num murmúrio, disse-lhe: vou ficar na tua fotografia, ah ah. Mas eis que o tempo avançou, eu também, rua afora, e a história se me virou quando vi uma outra menina, de patins, mal se segurando na pose que queria manter. Disse-lhe, em murmúrio: ah ah, vou ficar na tua fotografia. Mas depois, atravessando a praça, dei por mim com uma dúvida indissolúvel:
De quem é aquela foto?, de quem a pensa e eventualmente prepara a abordagem, o cenário, italital?, ou de quem posa a pensar no ego e no futuro?

Por que motivo?

Este:
Falamos de dentro porque não queremos falar por fora.

Três cornos

No Pilates, descobri que tenho três cornos na testa, dois lateralmente, que já conheço de cor há q'anos e um mesmo no meio, que é onde mora a novidade. É que há uma posição boa e má em simultâneo, que também há q'anos a pratico, e descobri precisamente hoje que tenho então mais um corno no meio da testa, porquanto a dita posição é para assentar a testa no chão. E dói. Mas não é a dor o verdadeiro caso, ok?, aqui o fulcro eu quero que seja o terceiro corno.

Novela na avenida

O assunto que trouxe a público neste post deu em Cafés Portela. Não que sejam muito finórios, os espaços que mantêm aquele nome, mas também.
Num próximo episódio desta surpreende e interessante novela, relatar-se-á a entrada triunfal desta que escreve.

Árvores de folhas vestidas, ainda

Por enquanto, nenhuma das árvores da rua mais bonita de Lisboa se apresenta nua. Passei então por vinte e seis vestidos de folhas, uns a tapar mais que outros, ok, vá, mas são vestidos na mesma.

Da beleza

No novo estaminé dedicaram-me – declararam, vá, menosmenos, mulher - o seguinte:

'Eh pá, a loja agora está mais bonita, está cá a Gina!'

Cravo & Ferradura

De manhãzinha, a rica filha olhou para mim e opinou:
mãe, estás cá com uma cara de sono...
mas estás bonita, ok?
ficas bem com os olhos assim meio fechados.

Planos para o fim de semana

E pode até ser que o plano seja executado já amanhã. É bolo de laranja com natas e mais uma reviravolta que malembrei ontem ou hoje ou sei lá. No meio da massa vou pôr streusel que é uma mistura de açúcares e farinhas e especiarias, nomeadamente canela em pó.
Aqui há uns anos copiei uma receita da TV (Barefoot Contessa) – um bolo com o café no nome. Na altura não me apercebi que o café no nome do bolo era devido a ser um bolo de fatia, adequado para acompanhar o café. Estranhei - que bem malembra – o café não estar presente no rol de ingredientes, mas pronto, adiante, sei que inclusive lhe chamei eu própria de café – plagiei, vá, oh quanta criatividade, né? - aquando da passagem para o meu dossiê especial, e adiante. Ora bem, acontece-me vezes aos montes encantar-me com a descoberta de uma receita, dispor-me a prepará-la, sair-me bem e certificar-me que é muito boa e muito diferente do comum, em suma: encanta-me, vai daí tem lugar no tal dossiê, não é menos verdade que é também em vezes aos montes que na segunda preparação da dita receita, esta desencantar-me pra caraças. Foi o que aconteceu com este bolo que copiei da Barefoot Contessa. Que desilusão. A segunda vez saiu-me um bolo gorduroso e nada saboroso. Ainda assim, a receita consta no dossiê. É que eu sou persistente – ou estúpida – e quero fazer uma outra vez. Mas não é ainda neste plano, não, que neste vou mamandar para a laranja e as natas, e meto lá no meio o tal do streusel.

Posta-restante: com o dia no fim, acho que amanhã vou mas é fazer uma tarte de maçã com massapão.

graminhas & comprinhas

seiscentos e setenta gramas de curgetes
duzentos e cinquenta gramas de nabo
mil seiscentos e sessenta gramas de laranjas
duzentos gramas de alhos
setecentos e novente e cinco gramas de bananas
novecentos e noventa gramas de maçãs
quinhentos e cinquenta gramas de couve-flor

3 tubos para moldar bolachas
6 cones para moldar bolachas
20 pauzinhos para gelados

comprei também:
1 café curto, pra estalar na mona de modo a fazer um barulho do caraças e assim me manter viva
1 scone, que, ainda que não tenha sido feito com todo o amor, descreio num amor igualmente distribuído por milhares de scones, quando num mesmo processo, era bem melhor que os meus, era pois, era sim