quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Comentários sem nome

Encontrei no Google Maps dois comentários ao estaminé:

1
«Uma das raras drogarias em Lisboa, onde é possível adquirir uma série de produtos hoje em dia algo esquecidos. Aqui há um pouco de tudo, mesmo alguns daqueles químicos que hoje em dia só aparecem integrados (...) e nesta loja se compram a granel. Antendimento simpático, típico de comércio de bairro, onde até se podem duplicar chaves.»
2
«nunca entrei aqui»

Então despachem mas é essas visitas, 'migos, que não tarda o estaminé fecha pra sempre. Sério. Vá, coiso.






Créditos: não os dou, para tal teria de localizar no mapa online o pontinho exato onde este estaminé assenta, o que não quero. E, ó 'migos escreventes destes comentários, um deles tão embelezador da minha postura profissional, desculpem lá tirar-vos as palavras sem vos pedir nem lhes pôr o vosso nome por baixo. Bem hajam.




Verde-água

O que é verde-água, no lugar da musa?

A parede defronte
Os pés das cadeiras, bancos e mesas
Os bancos almofadados
Os boiões de produtos
Os vasos rendilhados no topo
A balança, a torradeira e a chaleira, antiguinhos-antiguinhos
Os aventais dos funcionários
As portas de alguns armários

Levei vários dias para compor esta listinha, e virei tantas vezes a cabeça que, num desses dias, um homem que lá estava se me dirigiu a perguntar o que é que eu estava a escrever. Expliquei-lhe que era o nome do meu primeiro blogue, o causador de tanto zunzum.

Dias com vida

«Mais um dia das nossas vidas», disse o homem do café dos cafés da manhã. Achei que dera uma reviravolta na «frase batida: hoje é o primeiro dia do resto da tua vida», de Sérgio Godinho.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Despido

Saí de casa sem vestido. Esqueci-me. Então calhou de ir à loja comprar um para combinar com o mundo. Entrei sem vestido, saí vestida. É um vestido vermelho, decote largo, calma lá que decote largo não é o mesmo que profundo, corte direito e, de comprimento, é adequado. Haja alguma coisa adequada, hoje.

Ela escreve a vermelho

Preenchi quatro páginas do meu diário com uma caneta vermelha. Assunto: menstruação.

Lugar da musa

Ocupei montes de papelinhos com as minhas coisinhazinhas mas não se nota nada no blogue. São, ainda, minhas.







Os calores, dos corpos, amores

O calor vem-me de dentro em setentro
O calor chega-me de fora em maiora

Almoço, dois pontos

Almoço: não fui eu que o fiz, daí não estar lá muito bom, o bacalhau.

Tejo

Do Tejo, hoje, a extensão brilhante não era tão grande. De nada, ora essa. Ah, a extensão era de água, e brilhante, à conta do sol lá pousado.

Pequeno-almoço:

Crumble de pêras e framboesas. Bem temperadas e tempo para marinar e tudo, sendo o crumble feito (também) com bolachas de chocolate esmigalhadas. Lembrei-me das junções maravilhosas – pêras+chocolate; framboesas+chocolate – e eis que sim senhores, na mouche, que matei e que bem soube.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Acentos circunflexos



Fiquêi a devêr três cêntimos ao nepalês da frutaria. Quêm dera já têr vêndido o bilhête de Metro.

Não acabou nada a conversa, qual quê

Houve uma vez que não se fez a magia dos gelados, ah pois foi. Deu-me na mona dobrar a receita, que entretanto já sei de cor – quero eu dizer a tal do livro 'A Vida Secreta dos Gelados Caseiros, de Rita Nascimento, que me deu a rica filha e blás – e vai que espeto com o preparado na sorveteira, que já movia a sua pá. Mas a quantidade era tanta que a pobre não deu conta do recado. Fiquei meio coisa, que tinha os ricos filho e nora lá em casa, que se iam estrear na iguaria, e olha, pumba, não gelificou. Os erros servem para a gente aprender.
Já agora acrescento neste post que gostava de preparar também um gelado para a gente acompanhar o crumble, mas às tantas deixo-me disso.
Ah, é verdade, ainda não experimentei se consigo gelar dois preparados em uma só congelação de mó.
Ah, mais uma coisinha dos gelados, no outro dia experimentei fazer um pudim instantâneo e depois de arrefecido pô-lo na sorveteira, quem sabe daria o mesmo resultado que os ingredientes frescos da receita habitual, pois que, dando, daria para aquelas alturas em que não tenho natas em casa, ou que não me apetece ficar com mais claras sobrantes no congelador... Mas não. O preparado, depois de ligeiramente engrossado pela ação da mó gelada - notem bem: ligeiramente, nada de se assemelhar àquela mistura pastosa de um bom gelado - e, posto no congelador para finalizar de... eis que consegui um bloco de gelo abaunilhado. Qual invenção montes de bestial, qual quê, nada disso.
Ó pá, ainda cá venho. Também já experimentei o gelado de chocolate branco. Essa receita fui eu que inventei, vá, baseando-me na tal receita copiada. Bastou-me retirar um pouco do açúcar e lá fomos nós preenchidos pelo bom sabor do chocolate branco. A rica filha disse que era a melhor coisa que ela já tinha comido.

Planeando o fim-de-semana

No sábado vou fazer arroz-doce e crumble de figos frescos e uvas brancas. Havendo contrariedades nesse sentido, logo se vê, mas por ora é a ideia. E quão fixa está, olarila.
Tenho de comprar as frutas no próprio dia, já se sabe que os figos são sensíveis ao tempo de espera por entre colhimento e consumo, e as uvas, essas quero ver se arranjo as de agora, grandes e carnudas. Gostava muito de encontrar figo lampo, mas sei lá eu se é espécie do momento, se é daqueles que aparecem primeiro... Eu não verdade sei tão pouco acerca do fogão, 'migos. Mas tenho a mania que sei, lá isso tenho, e depois escrevo pra caraças acerca do tema porque me entusiasma que se farta. Mas acabou agora a conversa.

Lugar da musa

Nota prévia porque é montes de importante:
Eu que não mais tema chamar lugar da musa ao novo lugar da musa. Olhem: a partir de agora, quando me referir ao lugar da musa, é este - o do café caro - quando não, avisarei.

Experimentei um queque de cacau no lugar da musa, que é uma pastelaria dada ao consumo saudável. No balcão tenho avistado várias ordens de queques, abafados por grandes campânulas de vidro – que não pousam lá enquanto as iguarias estão quentes, que eu já vi, sim senhores, e assim é que é - há-os tanto doces como salgados, e hoje, em dia de me apetecer coisas doces e poder dizer-lhes que sim, decidi-me pelo queque castanhinho-escurinho. Tinha no topo um furo onde haviam inserido ganache de chocolate negro, que preenchera e babara o topo do queque. Pronto, uma coisa em bom para os olhos, que também comem, quantas vezes bem mais que a boca ou a barriga, só por dizer que jamais se saciam e o problema, geralmente, é esse mesmo.
Bom, vamos lá a ver.
Gostei de lhe chamarem queque de cacau e ser feito de cacau, da textura húmida, do sabor suave. Não sou a melhor do mundo nas lides forno+formas+proporções=bolos mas quando encontro um doce - tanto faz se queque, bolo de fatia, creme, gelado - que me preencha o palato e satisfaça a alma, fico feliz. Conclusão básica, bem sei, mas séria.

Publicidade

Na rua mais bonita de Lisboa estava um pacote de leite – sei lá se vazio/aberto ou então não – e acho que aquilo era spot publicitário. Eu cá notei o pacote, não fui a correr comprar igual, mas notei, fixei, estou a registar num meio e modo fora do baralho, estou portanto a dar montes de atenção ao assunto.
O pacote estava em pé, encostado ao muro, com a frente do verso virada para a frente, por entre a árvore arredondada e a outra a seguir, sendo que, como se sabe, a árvore arredondada é a primeira que encontra ao lado esquerdo quem desce a rua e a outra a seguir é claramente a segunda quando a gente vem no mesmo sentido.

Manhã(zinha)

Ainda é de manhã e logo de manhãzinha lavei-me toda eu por dentro. Sim, por dentro. De maneiras que hoje é pra ser muito limpa o dia inteiro.

#ópátóinxiru!

... então, podia ser astag, pois podia?

ó pá tóin xiru!

Nova coleção da marca de café Christina com agá entre o cê e o érre, ó pá tóin xiru!






Veio-me parar à mesa ontem de manhãzinha, a vez primeira, entretanto-tanto-bebo-café-quanto-café-bebo, que hoje, e olhem que ainda é de manhãzinha, tenho esses aí acima. Eram mais, mas excluí os repetidos.

ó pá tóin xiru

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Olá, bem vindos a mais um post onde uso a palavra grafómana montes de vezes

Isto de ser grafómana tem muita poesia. E solidão. Diz que a gente não deve ter medo de ser diferente, é preciso que se arrisque, que se mostre, que se seja, e eu venho dizer que sou grafómana. Ah... que prazer.
Marió ficou pasmada - e agradada - por me ver na sala de espera, escrevendo velozmente. 'Escreve tão depressa', disse-me, quando entrei no consultório, 'Como é que consegue acompanhar o raciocínio, não lhe é difícil?'

E agora armava-me em muito boa nisto da grafomania e dizia-vos que replicara:
Ah, ora essa, é-me tão fácil, sobretudo porque sou uma pessoa muito especial.
Mas não.
Respondi que nem sempre a mão me acompanha o raciocínio, que é lá isso, e agora acrescento no blogue que há alturas em que nem sequer sou capaz de rabiscar as coisinhazinhas, quanto mais de as escrever velozmente.
Mas poucas, essas vezes, ok?, são poucas, que eu cá sou grafómana.

Sonho (que não é meu)

Contou-me a cliente de ontem à tardinha acerca de um sonho que teve. Acordou num repente, durante a noite, e deu com uma forma luminosa junto à cama que lhe estendia um papel. Passou alguns dias pensando no significado que teria aquele sonho – sim, sonho, apesar de se ter sentido acordada por uma força estranha, ela não duvida que foi um sonho – até que se fez luz (figura luminosa → luz, ah ah) e descobriu que era um sinal para ela escrever.
Mas escrever o quê?, perguntava-se ela, eu não sou escritora, sou escultora, está bem que sempre escrevi, mas...

Escreva num blogue, minha senhora!, o meu dever era ter-lhe respondido com este entusiasmo.
Escreva o que lhe apetecer!, que incentivo lhe daria.
Quando lhe der ganas disso!, e aqui moraria o poderio de todos nós, os escreventes. Porra, pá, mas a gente manda ou não manda naquilo que escreve?!



Não, daí a atmosfera estar impregnada de dúvidas a esse respeito.



Post de gajas

Uma gaja sabe que entra num Centro Comercial com vestimenta pobretanas quando passa junto daqueles senhores
- que estão ao pé de um carrinho com prospetos barra avisos barra empecilhos -
prontos a vender cartões de crédito e ávidos... quando a avidez não me pousa em cima dos ossos.
É, uma gaja sabe que vai mal vestida quando assim é.

Uma gaja sabe que está para lá das marcas em diversas perspetivas e estados se entra maltrapilha num Centro Comercial e uma menina muito bonita lhe estende um prospeto montes de explicativo acerca dos melhores tratamentos de beleza para rosto e corpo.
|Calma, no cérebro sou uma riqueza.|

Vai daí

Estive num Ginásio apreçando modalidades, escalas e cotações e vai daí a senhora da receção

... sócio ou não sócio?

Não sócia, eu, e ressalvo agora o uso indevido do género, ai que horror, vai daí a senhora da receção buscou um papel com muitos amarelos e azuis e tornou

...tem aqui, agá estas modalidades, dabliú só Pilates.

Dabliú o Pilates e agá todas as outras?, eu, vai daí a senhora da receção

Sim, mas se quiser fazer tudo, isso já é com cada um!

Ah... Pois... É... Então vamos lá a ver... agá+dabliú=érre... hum...


Dei cá um mergulho nas reticências...

Parafusos

A pessoa tinha uma catrefada de parafusos que precisava de transportar, de maneiras que a pessoa enfiou-os numa luvinha de plástico fininho, com grossos dedos. Geralmente, a pessoa usa essas luvinhas para untar formas de bolo, mas hoje a pessoa fez isto assim com este jeito que acabou de contar, quando já no outro dia a pessoa tinha tirado esta fotografia montes de espectacular, ó: