segunda-feira, 26 de junho de 2017

o que é preciso é não perder a embalagem

cabelo e seus riscos

Creme de rosto

Tenho um novo creme de rosto...
… que é açucarado.
Sim, tem açúcar na sua composição. Açúcar, mesmo açúcar.
De maneiras que, quando me lambo ou assim, fico com a língua adoçada.

Cliente

Perguntei ao cliente se queria escrever algo na etiqueta antes de enfiar a chave na argola. Que não, que já escreveu muito na vida e não lhe serviu para nada, que quanto mais se escreve menos se sabe.

{hum...}

Lisboa, 26 de junho de 2017

A árvore amarela já tem algumas folhas amarelas. Não são muitas nem nenhuma delas o está por completo. Tão cedo, 'miga, então que é lá isso?

Hater

Quando sentada no banco hater, relembrei o coração na calçada, porque o revi, e fiquei contente. A ver se levo a máquina fotográfica, então. Não só pelo coração como pelos desenhos de bicicletas na rua mais bonita de Lisboa, pelas marcações a verde e ainda pelas marcações em vermelho e em amarelo, que também as há.

Lugar (que também pode ser) da musa

Eu estava na fila do Banco e entrou a menina (uma das) que serve os cafés no lugar (que também pode ser) da musa. Senti necessidade de rabiscar uma das minhas coisinhazinhas no bloquinho rudimentar e saquei dele. Esta menina teve assim um feliz e inesperado encontro – é que fartinha de me ver sacar o bloquinho e apontar coisinhazinhas está ela, mas no lugar (que também pode ser) da musa, não ali. Querer saber o que rabisco (num ou noutro lugar) é que é coisinhzinha em que não parece nada interessada.

Dicionário

A vergonha é um sentimento que está sempre relacionado com o que pensarão de mim se.

Das tortas que não me saem direitas

Ando a esforçar-me por conseguir uma torta que seja mesmo torta, mas direita ao nível do 'como deve ser'. Ainda não consegui, o raio da massa, depois de cozida, não deixa de se pegar ao pano. Pega-se ao açúcar que pus no pano, tudo bem, mas também se pega ao pano. É amor, só pode. Vai daí ponho o disforme monte de massa cozida e saborosa na travessa e come-se na mesma.

50



Sou comerciante e já vi uma nota de cinquenta euros.

O pôr-do-sol
As papoilas
A borboleta

Esperei quarenta e cinco meses para ver o pôr-do-sel em Montpellier. Bem sei que já falei disto no blogue, mas tenho mais fotos:






Das papoilas é que ainda não falei. Não tenho fotos do campo de papoilas mais belo que vi até hoje. Sério. Era um campo vermelho, sobretudo vermelho, não duvido que ali estivessem milhares de papoilas, daí não se ver mais nada além de vermelho, isto quando visto da estrada. Tivesse eu parado a marcha e avançado até lá e já me seria possível notar a penugem dos caules, os pormenores das pétalas, os olhos, as sementinhas dos olhos. Sementes de papoila. Há dias grelhei salmão que previamente forrei com sementes de papoila. Experimentem, é muito bom.

E da borboleta não cheguei a falar porque me esqueci de a incluir aquando do post em que me anunciei recoletora. Quem encontrou a borboleta, já morta, repito: morta, foi o Luís, dizendo que era giro colocá-la no caderno colorido. O bonito da borboleta é que o seu aspeto ainda não mudara. Eu fez-me impressão o bicho: «oh!, coitadinha, está mesmo morta, Luís?»
Estava.
Mesmo.
Lá (em Luciñena) pu-la no caderno colorido.
Cá (comigo, em todo o lado) no caderno colorido.
Apresentarei a foto em breve.

antes & depois

listinhas de fim-de-semana, o antes:

supermercado
alcaparras
creme avelãs, quiçá
manteiga amendoim, idem
feijão branco
grão bico
natas boas
natas más
óleo girassol
azeite bom
atum, receita nova
coentros, idem
morangos/pêssegos, receita nova
bananas, idem
ovos L
iogurte grego
leite rica filha
cereais rica filha
creme rosto, cupão
gel rosto, idem
pasta dentes
escovas dentes

fazer
sopa de legumes (abaute supe: uátelse?)
limpar varanda
lavar bancada
comprinhas supermercado

lazer
vídeo pacotes açúcar
vídeo lembranças
vídeo recuerdos
vídeo souvenirs
fotos tipo ah!
editar vídeos
editar fotos
deslindar cartões memória
carregar pilhas

no lixo das férias
meias vermelhas
meias cor-de-laranja
camisola amarela
camisola cor-de-laranja
camisola cor-de-rosa

listinhas de fim-de-semana, o depois:

supermercado
alcaparras
creme avelãs, quiçá
manteiga amendoim, idem
feijão branco
grão bico
natas boas
natas más

óleo girassol
azeite bom
atum, receita nova
coentros, idem
morangos/pêssegos, receita nova
bananas, idem
ovos L
iogurte grego
leite rica filha
cereais rica filha
creme rosto, cupão
gel rosto, idem
(este perdeu validade)
pasta dentes
escovas dentes


fazer
sopa de legumes (abaute supe: uátelse?)
limpar varanda
lavar bancada
comprinhas supermercado


lazer
vídeo pacotes açúcar
vídeo lembranças
vídeo recuerdos
vídeo souvenirs

fotos tipo ah!
editar vídeos
editar fotos
deslindar cartões memória
carregar pilhas

no lixo das férias
meias vermelhas
meias cor-de-laranja
camisola amarela
camisola cor-de-laranja
camisola cor-de-rosa

Frutinha

O nepalês da frutaria anuncia o preço do melão com um smiley no lugar do ó. Fiz-lhe notar que a meloa não tinha o smiley, a pobrezita. Ele foi 'uma gosta, outra não gosta', querendo dizer que algumas clientes notaram o sorrisozinho desdenhosamente.

MELÃ😊
MEL😊A

(ó pá não ficava tóin xiru?)

Lanchinho

Cerejas. Na foto apenas uma, que comi por último, não por compaixão, antes por um daqueles acasos meros. Fotografei esta porque a considerei bonita e indicadora do sábio equilíbrio que a natureza confere, isto por entre o doce e o ácido, combinação que me apraz e não é pouco.







Primeiro

Bom dia. São dez e vinte e oito.
Trouxe o bloquinho rudimentar. Não trouxe o livro que ando(ava) a ler.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Desenhar

O desenho-cão que estava junto à planta que nasce no lancil já não se encontra plenamente visível, pintaram por cima. Os obreiros passam a vida a pintar por cima dos desenhos-cão. O dos desenhos-cão passa a vida a pintar por cima das paredes de cara lavada.

Equiparar

Trouxe comigo o bloquinho rudimenta
Trouxe o livro que ando andava a ler 
Não escrevi em ele
Não li ele
Isto é equiparar as coisas à gente

Terminar

Terminei o pacote de açúcar com stevia que havia comprado aqui há tempo. Não gostei daquilo, adoça demais e deixa um travo amargo, qual doce, qual quê. Não têm freguesa, 'migos dessas lides.

Primeiro

Bom dia. São dez e trinta.
Lanchinho: 2 figos, que afinal sou repetitiva.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

espelho meu, espelho meu, quem será mais narcisa do que eu?

cor-de-laranja

refeitório

ó pá tóin xiru!

maravilha

maçãs pinque leidi






Eu não disse que as trazia?





daqui

Primeiro

Boa tarde. São dezoito e cinquenta e nove. Este é o primeiro dia - completo - de verão. De nada, ora essa. 
Tenho uma foto que masqueceu de juntar a este post e que reza a mesma temática:
as lembranças
los recuerdos
les souvenirs
que trouxe das -ainda não longínquas - férias. Se mostrei ao mundo o item guardanapos, como não mostrar ao mundo o item sabonetinhos/géizinhos/champôzinhos?









quarta-feira, 21 de junho de 2017

quarto

eu
marchar sem parar em semáforos seria
eu
encontrar um semáforo em vermelho-boneco e
eu
avançar para outra artéria da cidade até
eu
encontrar outro semáforo e
eu
notando o vermelho-boneco no boneco vermelho
eu
continuaria até calhar num semáforo com o boneco em verde-boneco, e isto nem que
eu
voltasse aos semáforos já visitados, só para
eu
não parar a marcha

Terceiro

A senhora do Banco envergava uma indumentária de palco, parecia uma bailarina – vestido em corpo justo e saia de tule, sabrinas e fitas a cruzar os pés e pernas.
Os bancos da praça estão na praça, o poeta está encoberto pelas folhas das árvores ao seu redor, as mesmas estão, ainda, revestidas de crochê.
No lugar (que também pode ser) da musa não estava ninguém, quero eu dizer: ninguém daquela 'minha' gente.
A árvore amarela está de um verde adulto, escurecido, notei pintinhas numa folha aqui, noutra ali. Nasceram ervinhas no sítio onde estava o banco em que eu me sentava para mirar o ar. O banco não vai voltar.
A rua mais bonita de Lisboa tem listas verdes demarcando os limites de uma ciclovia e por entre tem desenhos de tinta branca em forma de bicicleta. As pinturas são tão recentes que ainda vi o molde do desenho nas mãos de um obreiro que por ali andava.
O latim, a meu ver, precisava que algum obreiro fosse destacado para avivar as letras. Achei-o diferente, apagado. Não quero nem pensar que eu é que estou isso.

Segundo

A mana picoa mais despachada veio comprar um saco de água quente. «Mas pequenino, o mais pequenino que tiver», pediu ela.

Aí está ele, o verão – vivamos-lo!, plenamente!, óié!

Primeiro

Bom dia
São nove e trinta e seis


Chegou-se o verão
Foi-se o calorão


Uma foto ao céu tiraria
Mas a máquina eu não trazia


O sol está escondido
Acedendo ao pedido(?)
Das gentes crentes(?)

terça-feira, 20 de junho de 2017

(o pau não vai e vem para folgarem as costas, tampouco para se aproveitar esse intervalo, o foco é a dor)



és cá de uma delicadeza, mulher...






Faz de conta que

Ó Gina, como é viver sem o ansiolítico?
É estonteante, 'migos. Estonteante.

Há que saber viver, né?, mas afinal quem é que não gosta de entontecer, né?

Novidade

Tenho uma catrabucha nova. É tão viva e competente que havendo descuido, mesmo poucochinho, faz-me a manicura num ápice. E eu que agora ando arredada disso assim...

Do mural despedinte

Por conta do mural da despedida que ando a construir aos poucos, juntei hoje um volume. Trata-se de uma folhinha sei lá de quê, que não me parece retratar porra nenhuma.
É de plástico. Podia ser um desenho. Tem desenhos de nervuras. Os desenhos são nervuras. É acastanhada. Simula o outono. Tem outrossim o veio central desenhado. Tem um furinho junto ao caule. Pertenceu a um brinco.
É portanto não mais nem melhor do que qualquer outra das peças que compõem o meu mural despedinte.

Cliente

Trazia um papelinho (não um dos meus) com apontamentos no setor do gás, vindos doutrem. Se era doutrem, era para eu decifrar. Li: gás p/pano, decifrei: gás propano. Contudo: não sem antes a cliente me ler: gás para pano, o que não estava nada bem decifrado. Não é que desminta a existência de gás para pano, sei lá eu de todas as indústrias, mas não me quer parecer que haja...

Lilás

(muitos posts tenho eu com este título, oh céus!)

Ontem, dizia eu, dos jacarandás.
Hoje, digo eu, dos jacarandás.
Os jacarandás terão, supostamente, largado as pétalas liláses, só por dizer que já não fui a tempo de as ver pelo chão, que, supostamente, os almeidas andam a cumprir com o serviço e, por conseguinte, a honrar a profissão.

Primeiro

Bom dia. São onze e cinquenta e um.
O lanchinho d' hoje é merecedor de registo:

figos: 2
ó pá tóin xiru!
ó pá não eram tão doces
quanto
eu queria

Lembrei-me de fazer crumble de figo no próximo fim-de-semana, que o mel dos figos deve ser muitaa bom a receber desfeitices, só por dizer que crumble é coisa boa em dias amenos e muitaa boa em dias frios. Hum, não combina com o calorão destes dias.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Olá, bem-vindos a mais um blogue

Bom dia. São dez e trinta e três.
Lanchinho: duas ameixas vermelhinhas - e azedinhas, como eu gosto. Tirei fotos ao antes & depois mas a máquina fotográfica não tão espectacular assim não tinha o cartão de memória lá dentro, então as fotos ficaram gravadas na memória interna. Não que eu não saiba que o sistema para as tirar de lá é extamente o mesmo, mas acresceu uma tarefa para logo à noite, então: apresento as fotos amanhã, creio agora nisso, só por dizer que às tantas apresento num outro dia 'olhem: lembram-se das minhas ameixas? e tal e tal', e explico e deixo link para este post e assim conseguirei um extra-post.
O que eu devia fazer era pôr-me a procurar a porra do cabo para passar as lindas de morrer fotos que tirei... ai perdão, as fotos que tirei e que estão lindas de morrer.
Isto de ter a máquina faltosa de cartão deve-se ao facto de o regresso de férias ter sido um bocado virado para tecnologia. Um bocado. Mesmo. Levei comigo uma catrefada de valiosos auxiliares desta que escreve e que tem a mania que é repórter:
baterias, pilhas, carregadores, cabos, cartões de memória, pens
E, chegada a casa, houve que desemaranhar e descarregar o que estava nos cartões para o computador, e aí é que foi, pumba e coiso, hoje toca de trazer a máquina quase desmemoriada.

Vamos mudar de assunto?
Vamos.

Cheguei ao estaminé, atualizei a minha pastinha dos escritos e fotos e coisinhazinhas que tais, abri o meu documentozinho de escrita e... deixei cá um rascunho!, oh céus!, um rascunho?, eu deixei-me só um rascunho?!
Sim. Caraças pá, sim.
Mas sei como continuar a ser grafómana, isto porque, e por exemplo, já escrevi isto tudo e ainda o sol vai na subida, para aí aos três quartos do pico.
No documento que uso no estaminé, deixei também uma foto:





E um documento digitalizado:





Da foto:
Não malembra se cheguei a publicá-la e não vou vasculhar o passado do blogue, que não mapetece. Trata-se do momento em que terminou a caneta verde, que entretanto deixei em Villefranche de Conflent, acompanhando a mala-velha-e-creme, ó:





Da imagem:
Deixei-a por publicar, disso já malembra e olhem, publico agora e acabou mas é a conversa ← essa.
Trata-se de uma lista de faltas domésticas que não me pertence e que encontrei não malembra onde. Neste dia, é não mais que isso.

Boa tarde. São quinze e quarenta e sete.
Sei que todo este post está superlativamente interessante, o que vos levará a não esmorecer a leitura. Então, vá.

Da lista do que eu queria, ainda, registar acerca da mais recente viagem, não consta copiar os manuscritos para os publicar no blogue, o que é vez primeira a acontecer. Sério. Copio, desde sempre, as palermices que escrevo no caderno – ao d' agora chamo de 'colorido' – que levo comigo. Ora acontece que escrevi pouco, principalmente por falta de tempo, embora a falta de vontade tivesse aparecido no fim da jorna, tanto que nos dois últimos dias não registei coisinhazinhas. Lamento essa ausência, mas pouco, afinal sou mulher para não dispensar o viver em prol do escrever, a esta grafómana não é fácil escrever umas coisas sem viver, tanto essas como outras coisas.

Ó pá, que saudades do lugar (que também pode ser) da musa, da árvore amarela, da rua mais bonita de Lisboa, dos bancos da praça, do latim, das folhas pela calçada. Hoje não pude rever todos eles, tampouco amanhã será dia disso, mas quarta-feira lá vou eu. O que amanhã poderei rever são os jacarandás, que, estando junho aos dezanove, hão de ter largado muito lilás e muito óleo na calçada – frruque!, frruque!, frruque!, eu a andar e as solas a pegar. É.

Sabem que eu, na dita viagem, logo ao início deu-me para colher florzinhas e folhinhas. Nem sempre esperei que o acaso mas trouxesse, fui por vezes ruim para com a Natureza, ingrata, arrancando flores e folhas do seu sistema de vida para as encafuar num dos meus. Com isto entristeci um poucochinho, mas por outro lado alegrei-me, era para continuarem vivendo, afinal. Por onde ia passando, e onde me apetecesse, levava comigo as flores e as folhas, que nem sempre apanhei do chão - repito a ver se se entende - dispondo-as seguidamente por entre duas folhas do meu caderno colorido. Isto contribuiu também para não me dedicar tanto à escrita manual, pois quanto mais recolhas eu tinha por entre as folhas do caderno, mais volumoso este ficava e mais cuidadosa eu tinha de ser, que era um ai! enquanto as recolhas saíam do seu lugar, quantas vezes não dei por algumas caídas no fundo da mala, ou então prestes a isso. Mas não perdi nenhuma, é que nem uma.
Entretanto deu-me na cabeça armazenar toda a espécie de papelada, cartões de visita, faturas, avisos 'do not disturb', ou, quiçá bem mais chique: 'prière de faire ma chambre', talões de pedidos à mesa com anotações de palavras-passe do wi-fi dos restaurantes, envelopes guardadores de talheres limpos e prontos a usar e até, pasme-se! papéis de Sugus. Portanto o meu caderno colorido ficou gordo pra caraças e manuseá-lo sem me cair todo o espólio era quase um dom de malabarista.

São agora seis e tal da tarde. Estou aqui estou aí, onde for. Quero eu dizer que já faltou mais para publicar este grande post. Se não conseguirem ou não quiserem lê-lo até ao fim, não faz mal, eu gosto de vocês na mesma.



Lisboa, dezanove de junho de dois mil e dezassete